Harry Styles abre mão da estética espalhafatosa para adotar o ‘uncool’ em nova fase

(FOLHAPRESS) – Dos paletós que expunham o tórax tatuado às gravatas e camisas sociais mais reservadas. Um adeus aos macacões à moda de Elton John e David Bowie, aos vestidos pomposos e aos boás de plumas, e um olá às peças de alfaiataria e a muitos, muitos tênis de corrida.

Foi assim que começou a nova era de Harry Styles, marcada pelo lançamento, em março, do disco “Kiss All the Time, Disco Occasionally.”, o primeiro do astro em quatro anos. Após uma residência de 12 shows em Londres, o artista está agora no Brasil para quatro apresentações da turnê “Together, Together”, no estádio Morumbis, em São Paulo, entre a próxima sexta-feira (17) e o dia 24 de julho.

Como artista pop, a carreira de Styles sempre foi marcada por diferentes eras, definidas por alguma estética marcante adotada pelo cantor. Ainda na One Direction, boy band que revelou Styles antes mesmo de ele alcançar a maioridade, o artista viveu fases como a “Frat Boy Harry”, em que aparecia muitas vezes sem camisa, com jeans de cintura baixa e bonés virados para trás, e a “Long Hair Harry”, quando deixou os cabelos crescerem até os ombros.

Já na carreira solo, houve destaque para o “Dunkirk Harry”, da época em que se arriscou como estrela de cinema no filme de Christopher Nolan, e para sua era mais ousada até então, durante o período do disco “Fine Line”, de 2019, com figurinos rebuscados e cores vibrantes.

Agora, aos 32 anos, Styles parece ir na contramão da estética da qual bebeu nos últimos anos. Mais resguardado desde a fase “Frat Boy”, o cantor se desprende das roupas espalhafatosas e adota looks sintonizados com sua personalidade privada e, por vezes, eremita.

Saíram as calças de lamê, as blusas transparentes, os colares de pérolas e os figurinos maximalistas que marcaram sua parceria com Alessandro Michele durante a passagem do estilista pela Gucci. Entraram camisas sociais, gravatas, blazers de corte clássico, calças amplas de alfaiataria e uma coleção quase infinita de camisetas, jeans e tênis esportivos, em uma celebração da estética “uncool”, ou nada descolada.

Isso não significa, porém, que Styles tenha abandonado completamente o gosto pela experimentação. Nos shows da “Together, Together”, a sobriedade do guarda-roupa corporativo é frequentemente quebrada por shorts de alfaiataria curtíssimos, sapatilhas, peças estampadas, gravatas florais e combinações ousadas de cores.

Os visuais são construídos a partir do “color blocking”, técnica de estilo que combina duas ou mais cores sólidas e contrastantes em uma única produção. O maximalismo aparece agora nas proporções, nas texturas e nas cores, e não mais nas penas e nos brilhos.

O próprio stylist Harry Lambert definiu a nova direção como uma espécie de “corp-core”, mistura de alfaiataria tradicional com referências estéticas do mundo corporativo dos anos 1980. É um visual que dialoga com o momento atual da moda masculina, dominado por versões mais discretas do luxo, sem abrir mão de pequenas subversões.

Essa transformação também se reflete na música de “Kiss All the Time, Disco Occasionally.”. Concebidas após a pausa mais longa da carreira do cantor, de quatro anos, as 12 faixas representam uma tentativa de explorar um lado eletrônico ainda recente para Styles, que antes navegava principalmente pelo pop-rock.

A mudança veio a partir do contato do artista com a cultura clubber de Berlim. O novo disco bebe de influências das pistas de dança, ainda que de forma bastante tímida, e traz referências de nomes como LCD Soundsystem na busca por uma sonoridade diferente da apresentada nos trabalhos anteriores.

Ainda assim, o cantor não rompe completamente com o passado. As baladas continuam presentes, e muitos refrões preservam o caráter grandioso que marcou seus discos anteriores.

A estética, tanto sonora quanto visual, ajudou a redefinir os códigos do pop masculino da última década e abriu espaço para uma geração de artistas que hoje ocupa as paradas.

Enquanto Styles passou anos longe dos estúdios, nomes como Benson Boone, Sombr e Role Model, por exemplo, ganharam projeção explorando parte dessa linguagem. Boone adotou os macacões e a teatralidade dos palcos; Sombr construiu uma imagem baseada em ternos largos, sensualidade e referências vintage; e Role Model bebeu do jeans e das camisetas apertadas.

Cada um desenvolveu uma personalidade própria, mas todos surgiram em um cenário no qual Styles já havia ampliado os limites do que se esperava de um astro pop masculino, mesmo diante das acusações de “queerbaiting”, isto é, de ter se promovido a partir de símbolos gays.

Apesar de nenhum deles ter alcançado o trono construído por Styles, todos, de certa maneira, atraíram os fãs do ex-One Direction que ficaram órfãos durante seu breve hiato, iniciado após o Grammy pelo disco “Harry’s House”, em 2022, e a turnê mundial “Love on Tour”.

Perto dos 30 anos, ele passou a viajar sem compromissos profissionais, voltou repetidas vezes à capital alemã, fez novos amigos fora da indústria musical e descobriu uma rotina distante dos holofotes. Foi frequentando clubes da cidade que percebeu a potência de ser apenas mais uma pessoa na pista de dança, e não uma celebridade.

A outra descoberta desse período aconteceu do lado de fora das boates. Styles transformou a corrida em hábito diário e passou a encará-la como contraponto à intensidade da vida noturna. No ano passado, completou as maratonas de Tóquio e Berlim.

Foi durante os treinos que ouviu demos do novo álbum, organizou ideias e encontrou um espaço de solidão após anos cercado por multidões. Em paralelo, a prática fez a alegria de alguns sortudos, tanto em Londres, que encontraram o astro nas ruas correndo antes dos shows, quanto em São Paulo.

Na cidade desde o começo da semana, ele já interrompeu treinos e passeios para tirar selfies com fãs no parque Ibirapuera, no bairro da Liberdade e na região da avenida Paulista.

Em entrevista à revista Runner’s World, o cantor contou que essas experiências mudaram sua relação com a música. Em vez de imaginar um palco dividido entre artista e plateia, passou a pensar em apresentações nas quais todos estivessem imersos na mesma experiência.

“Não quero que pareça um sermão que estou proferindo. Queria que a sensação fosse de que estamos juntos nessa música. Como se eu estivesse nela com você.”

TURNÊ ‘TOGETHER, TOGETHER’ – HARRY STYLES

– Quando Sex. (17), sáb. (18), ter. (21) e sex. (24), às 20h45
– Onde Morumbis – pça. Roberto Gomes Pedrosa, 1, São Paulo
– Preço R$ 265 a R$ 705
– Classificação 16 anos
– Link: https://www.ticketmaster.com.br/event/venda-geral-harry-styles

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Folhapress

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