Senador discursou em encontro estadual do partido realizado na capital do Espírito Santo/ Foto: Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou neste sábado (18) que, caso vença a disputa pelo Palácio do Planalto, subirá a rampa da sede do Executivo federal acompanhado por pessoas anistiadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A declaração foi dada durante o encontro estadual do Partido Liberal (PL) realizado em Vitória, no Espírito Santo.
O discurso do parlamentar foi marcado por duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria dos inquéritos que apuraram as invasões e depredações na Praça dos Três Poderes. A fala de Flávio faz um contraponto à posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023, quando o atual mandatário subiu a rampa ao lado de um grupo de cidadãos que simbolizavam a diversidade social do país.
“Alguns inocentes, tem alguns aqui, serão anistiados e vocês vão subir a essa rampa junto comigo”, discursou o senador no evento capixaba. Ele completou afirmando que “vai ter Bolsonaro subindo a rampa do Palácio do Planalto em 2027”.
O aceno de Flávio Bolsonaro aos condenados pelo 8 de janeiro ocorre em meio a um prolongado embate jurídico e legislativo em Brasília. Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Dosimetria, dispositivo articulado pela oposição para atenuar as penalidades aplicadas aos envolvidos nos protestos que culminaram na invasão dos prédios públicos.
Em um ato de forte teor simbólico, o presidente Lula vetou integralmente a proposta no dia 8 de janeiro de 2026. Posteriormente, o Legislativo reagiu e derrubou o veto presidencial, restabelecendo o texto. Contudo, os efeitos práticos da medida foram travados por Alexandre de Moraes, que suspendeu provisoriamente a aplicação da nova lei até que o plenário do STF delibere em definitivo sobre a sua constitucionalidade.
No mesmo palanque, o pré-candidato do PL subiu o tom contra o avanço de restrições impostas a ele pelo Judiciário. Moraes proibiu o senador de realizar visitas ao pai, o ex-presidente da República, que cumpre prisão domiciliar. A sanção de 90 dias foi aplicada após o congressista divulgar na internet uma carta em que o ex-mandatário reforçava apoio à sua postulação presidencial.
A penalidade contra o círculo familiar foi endurecida em despacho assinado pelo ministro na última sexta-feira (17), vedando qualquer tipo de visita ao ex-presidente pelo prazo de 30 dias, abrindo exceção apenas para o atendimento de advogados, médicos e fisioterapeutas.
“Eu não vou abaixar a cabeça e nem me intimidar, vai me dar mais força porque aqui tem sangue de Bolsonaro nessa porra. Não vou abaixar a cabeça para tirano nenhum”, reagiu Flávio diante dos apoiadores em Vitória.
Fhagner Soares, ContilNet



