Kylian Mbappé se pronunciou após ser alvo de comentários racistas feitos pela senadora paraguaia Celeste Amarilla nas redes sociais, depois da partida entre França e Paraguai pela Copa do Mundo. O caso ganhou repercussão internacional e motivou manifestações do jogador e do governo francês.
Nesta segunda-feira (6), Kylian Mbappé se manifestou após ser alvo de comentários racistas feitos pela senadora paraguaia Celeste Amarilla. As declarações foram publicadas no X, antigo Twitter, após a eliminação do Paraguai para a França na Copa do Mundo. Diante da repercussão, o atacante francês decidiu responder publicamente e afirmou que não vai permitir que ataques como esse sejam normalizados.
Em seu perfil na plataforma, Amarilla publicou uma série de mensagens ofensivas direcionadas ao jogador. “Camaronês colonizado, bancando o francês durão, ressentido, novo-rico, arrogante e feio. Ele ficou nervoso e morrendo de medo durante toda a partida, assim como o resto do time. Não conseguiram fazer nem um gol e só venceram nos pênaltis”, escreveu a senadora.
A parlamentar também afirmou que a seleção paraguaia, conhecida como Albirroja, deveria ter agredido Mbappé após o apito final da partida. “A única coisa que muitos de nós cobramos da Albirroja é que não tenha dado um belo tapa na cara dele depois que o jogo terminou. E olha que eu nem sou fã de futebol”, disparou.
As ofensas continuaram em outra publicação. “Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés. Você deveria ter mostrado o dedo do meio para ele, Orlando Gill. Eu faço isso no Senado e nada acontece”, afirmou. “Um camaronês colonizado, fingindo ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio”, ela voltou a atacar o atleta.
Bruto no aprendió ni a escribir, en vez de leche materna chupaba cocos y lo más instruido que escucho eran chimpancés. Le hubieras mostrado el dedo Orlando Gill, yo lo hago en el senado y no pasa nada !!!
— Celeste Senadora (@CelesteSenadora) July 5, 2026
A resposta de Mbappé
As publicações chegaram até Mbappé, que decidiu responder diretamente à senadora. Em seu perfil, o jogador compartilhou uma foto de Amarilla e publicou uma mensagem contundente. “Madame Celeste Amarilla, você é uma mulher desprezível e indigna de sua função”, iniciou.
Na sequência, o atacante fez questão de separar a postura da parlamentar da imagem do país. “Você não representa o Paraguai, este país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição”, afirmou.
Mbappé também criticou o impacto das declarações da senadora sobre a campanha histórica da seleção paraguaia no torneio. “Por sua inconsciência e seu racismo descomplexado, o mundo inteiro já esqueceu o percurso e o esforço histórico que seus jogadores realizaram durante esta copa do mundo, dando lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país”, lamentou.
Por fim, o atacante reforçou que não pretende se calar diante de ataques racistas. “Eu nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo”, encerrou.
Madame Celeste Amarilla,
Vous êtes une femme méprisable et indigne de sa fonction.
Vous ne représentez pas le Paraguay, ce pays qui a transpiré la passion et l’honneur tout au long de la compétition. Par votre inconscience et votre racisme décomplexé, le monde entier a déjà… pic.twitter.com/EnYmgQXvPL— Kylian Mbappé (@KMbappe) July 6, 2026
Governo francês se manifesta
A repercussão também chegou ao governo francês. A ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, se manifestou e condenou publicamente os ataques racistas dirigidos a Kylian Mbappé. Em declaração à imprensa, ela classificou as falas da senadora como inaceitáveis. “Estou absolutamente escandalizada com as declarações da senadora paraguaia Celeste Amarilla”, afirmou.
Ferrari reforçou que o episódio vai além de um ataque ao jogador e atinge os valores defendidos pelo país. “Essas declarações são abjetas, indignas e ainda mais inaceitáveis por partirem de uma responsável política. Diante do racismo, não permaneceremos em silêncio. Ao atacar Kylian Mbappé, a senadora ataca tudo o que nosso capitão encarna e tudo o que nosso país defende: a liberdade, a igualdade e a fraternidade“, finalizou a ministra.
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Clara Andrade




