O senador Ciro Nogueira (PP-PI) tornou-se o centro de uma investigação da Polícia Federal após a revelação, feita pelo portal Metrópoles, de que o parlamentar adquiriu uma cobertura triplex de R$ 22 milhões em São Paulo pouco antes de apresentar uma proposta legislativa que beneficiaria o Banco Master. A transação imobiliária ocorreu apenas três meses depois de Nogueira se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e meros 26 dias antes de protocolar a chamada “emenda Master”, peça-chave em um esquema de suposta corrupção e fraude financeira.
Na última quinta-feira (7), o presidente nacional do PP foi alvo de buscas na quinta fase da Operação Compliance Zero. A PF suspeita que o senador atuava em favor de Vorcaro no Congresso em troca de “vantagens econômicas indevidas”. Mensagens interceptadas sugerem o pagamento de uma “mesada” que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao parlamentar. Ciro nega veementemente as acusações e classifica a operação como “perseguição política”.
O império imobiliário na Oscar Freire e Jardim Europa
O imóvel que deu início à polêmica é um triplex de 514 m² localizado na Rua Oscar Freire, uma das áreas mais valorizadas de São Paulo. A compra foi realizada em julho de 2024 através da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários, holding patrimonial que a PF acredita ter sido usada para lavar dinheiro ilícito.
Pouco tempo depois, mesmo com parcelas pendentes, o senador realizou uma nova manobra: permutou o triplex por uma mansão de 878 m² no Jardim Europa. O projeto, assinado pelo renomado arquiteto Arthur Casas, está sendo adaptado aos gostos do senador e de sua namorada, incluindo a criação de um espaço luxuoso para festas com mesa de DJ. Segundo Nogueira, o valor de mercado da nova propriedade deve chegar a R$ 30 milhões.
A “emenda Master” e o colapso do banco
A conexão política do caso reside na emenda à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro em 13 de agosto de 2024. O texto, que a PF afirma ter sido redigido pela assessoria do próprio banco, propunha quadruplicar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Em mensagens, Vorcaro teria comemorado que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Apesar dos esforços legislativos, o Banco Master sofreu liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025 devido a fraudes bilionárias. O rombo resultou em um pagamento de R$ 40 bilhões pelo FGC para ressarcir cerca de 800 mil investidores.
Redação ContilNet


