Antônio Alves diz que Peregrina entrega “um tesouro” ao Brasil

Foto: ac24horas.com

Representando Peregrina Gomes Serra, viúva do Mestre Irineu e dignitária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo, Antônio Alves afirmou nesta sexta-feira, 08, durante o ato de formalização do pedido de abertura do processo de tombamento e reconhecimento do Sítio Histórico do Alto Santo como Patrimônio Cultural Material do Brasil, que a entrega do espaço ao Estado brasileiro representa a oferta de um patrimônio coletivo ao país.

Ao discursar diante de autoridades e membros da comunidade, Antônio destacou o simbolismo histórico e espiritual do gesto feito por dona Peregrina.

“Nós estamos entregando, a madrinha Peregrina está entregando ao Estado brasileiro um tesouro. Nós construímos isso aqui. Pode considerar isso aqui como um patrimônio seu. Está dizendo assim ao povo brasileiro: pode considerar isso aqui como um patrimônio seu. Nós entregamos isso aqui para vocês, para vocês tomarem conta desse tesouro, para vocês valorizarem, para vocês perceberem isso aqui como um espelho no qual o povo brasileiro pode olhar a si mesmo, a sua face mais íntima, aquela face mais delicada, aquela face com que muitas vezes a gente não se apresenta publicamente, mas que conhece interiormente dentro do coração”, declarou.

Em um dos trechos mais marcantes da fala, Antônio Alves ressaltou que o Alto Santo carrega memórias profundas da formação social, cultural e espiritual brasileira, reunindo marcas ancestrais e trajetórias de resistência.

“As nossas memórias mais recônditas, as nossas dores, os nossos sofrimentos e também as nossas alegrias, as batalhas que a gente enfrentou na vida ao longo de quase 100 anos, estão aqui. Tudo isso é um tesouro que a madrinha Peregrina reuniu, recolheu, cuidou, zelou e entrega ao povo brasileiro, dizendo: está aqui, pode tomar conta e sentir que isso aqui é seu. Essa é a sua memória, essa é a sua história, esse é o seu sentimento, esse é o seu valor”, afirmou.

Antônio também destacou a trajetória de dona Peregrina, que completa 89 anos em 2026 e celebrará 70 anos de casamento com Mestre Irineu, reforçando a longevidade da tradição mantida pela comunidade.

“A madrinha Peregrina está completando esse ano 89 anos. Vamos ter uma grande festa em setembro, porque ela vai fazer 70 anos do casamento dela com o mestre Irineu. Há poucos anos atrás, festejamos o aniversário de 100 anos de várias pessoas dentro dessa doutrina, gente da família dela, e alguns anos atrás celebramos o centenário do mestre Irineu”, relembrou.

Segundo ele, o patrimônio do Alto Santo reúne uma herança que atravessa continentes e gerações. “Essa antiguidade, desse trabalho, desse esforço, dessa vivência, dessa experiência que essas pessoas vêm carregando desde a África, desde o Nordeste brasileiro, subindo o Rio Amazonas até chegar aqui, encontrando as memórias mais antigas dos povos que já residiam neste estado e que lhes serviram uma cuia com um líquido maravilhoso dentro dela, tudo isso está reunido aqui”, pontuou.

Durante o pronunciamento, Antônio enfatizou que cada detalhe físico do espaço guarda memória e conhecimento construídos ao longo de décadas. “Cada equipamento físico está cheio de memória. Cada viga dessa daqui, cada planta desse jardim, cada tijolo colocado aqui, cada pedaço de madeira está cheio de memória. A casa do mestre Irineu, por exemplo, tem peças serradas na década de 40 do século passado e que permanecem em pé até hoje, porque naquele tempo havia ciência: madeira serrada no dia certo, na lua certa, na fase certa da natureza para se preservar ao longo dos anos”, explicou.

Ele ainda ressaltou que o conhecimento preservado na comunidade foi transmitido pela experiência cotidiana, e não por instituições formais. “Todo esse conhecimento não foi aprendido em livros, não foi aprendido na universidade. Foi aprendido na vida, com muitos anos de trabalho, sofrimento, sacrifício, tristezas e alegrias, anos em que o roçado deu maravilhosamente bem, outros em que veio praga e matou tudo, anos de saúde, anos de doença, batalhas enfrentadas e vencidas”, ressaltou.

Ao encerrar, Antônio Alves afirmou que o reconhecimento solicitado representa uma valorização histórica da luta dos mestres fundadores e dos antigos guardiões da tradição.

“Nós estamos reunindo aqui uma ancestralidade, uma história, uma luta, um trabalho que vem sendo travado há muito tempo. É o momento realmente de dar valor a essa batalha dos nossos mestres, fundadores, pioneiros, daqueles que nos ensinaram a viver neste mundo-terra e como seguir adiante com nossas famílias por mais uma geração. Essa é a história da humanidade que a gente celebra hoje, aqui, neste momento”, finalizou.

Lucas Vitor

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