A possibilidade de o ex-governador Gladson Cameli deixar a base da governadora Mailza Assis (PP) para se aproximar do grupo de Tião Bocalom (PSDB) voltou a movimentar os bastidores da política acreana. Pela primeira vez, o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP), comentou publicamente o assunto e admitiu que veria a mudança com entusiasmo.
“Se assim for o desejo dele, lógico. Não vou negar que seria muito bom”, afirmou em entrevista exclusiva ao ContilNet, ao ser questionado sobre uma eventual migração de Gladson para o grupo político de Bocalom.
Embora tenha deixado claro que gostaria de dividir o mesmo palanque com o ex-governador, Alysson fez questão de afastar a ideia de que esteja conduzindo qualquer articulação para isso.
Segundo ele, a relação entre os dois sempre foi marcada pelo respeito às decisões políticas de cada um. “Eu não tenho feito movimentos para forçar nada. Assim como ele nunca fez comigo.”
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A amizade, segundo o prefeito, antecede os cargos que ambos ocuparam. Alysson lembrou que a parceria começou ainda quando Gladson era deputado federal e continuou durante o período em que foi senador e governador.
“Nossa relação não nasceu agora. É uma relação de amizade, de irmão. Independente de onde cada um esteja politicamente, isso continua.”
Hoje, os dois estão em lados diferentes da principal disputa estadual. Alysson decidiu apoiar Tião Bocalom na corrida pelo Palácio Rio Branco, enquanto Gladson mantém apoio à tentativa de reeleição da governadora Mailza Assis, que era sua vice.
O prefeito contou que, quando decidiu caminhar com Bocalom, fez questão de comunicar Gladson antes mesmo do anúncio público. Na época, inclusive, afastou-se das funções partidárias para evitar conflitos dentro do Progressistas.
“Ele respeitou minha decisão, assim como eu vou respeitar a dele.”
“Meu candidato ao Senado é ele”
Apesar da divisão na disputa pelo governo, Alysson garantiu que isso não interfere no projeto para o Senado. Segundo ele, Gladson continua sendo um dos nomes que pretende apoiar em 2026.
“Vou estar no palanque dele para o Senado. Ele é um dos meus candidatos.”
Alysson também disse torcer para que o ex-governador resolva o quanto antes as pendências jurídicas que ainda cercam sua pré-candidatura.
“Meu desejo é que isso seja resolvido rapidamente e que ele possa disputar a eleição.”
Sem confirmar qualquer conversa sobre mudança de lado, o prefeito deixou uma mensagem que certamente será observada pelos grupos políticos nos próximos meses: se Gladson decidir mudar de palanque, encontrará espaço aberto ao lado de Bocalom.
Matheus Mello, ContilNet




