O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou um prazo de 15 dias para que a Secretaria do Tesouro Nacional informe se há possibilidade técnica de padronizar códigos contábeis usados na liberação das emendas parlamentares. A ordem consta em um despacho, desta terça-feira (14/7), que trata da ampliação da transparência dos recursos públicos.
“Manifeste-se acerca da viabilidade técnica e operacional da criação de códigos e padrões contábeis específicos que permitam identificar, de forma individualizada, os lançamentos relativos a recursos oriundos de emendas parlamentares das esferas estadual, distrital e municipal, conforme sugerido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon)”, escreveu o magistrado.
A decisão ocorre após bloqueio de bens do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e do ex-deputado Eduardo Cunha. Eles teriam atuado na indicação de emendas mesmo sem o cargo adequado.
Dino criticou a “terceirização” de emendas parlamentares e também deu prazo de 30 dias para que a Câmara dos Deputados, o Senado e as comissões de Saúde prestem explicações sobre medidas adotadas para garantir a transparência da destinação dos recursos públicos.
O magistrado afirmou que ex-parlamentares e dirigentes partidários não têm “legitimidade” para interferir na alocação das verbas.
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do Metrópoles
“Uma oligarquia parlamentar já seria um grave equívoco constitucional; ainda é pior quando um pequeno grupo se acha legitimado até mesmo para transferir a terceiros – que não são parlamentares – o controle sobre a alocação de recursos do Orçamento Geral da União”, reiterou o magistrado.


Audiência pública sobre as emendas
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Ministro Flávio Dino determinou bloqueio de bens de Valdemar
Rosinei Coutinho/STF

Flávio Dino cobrou maior transparência dos rescursos
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Valdemar Costa Neto é ex-deputado e não poderia fazer as indicações das emendas
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
O que diz a decisão
- Dino critica a terceirização de emendas.
- Ministro reiterou que apenas parlamentares podem indicar os recursos públicos.
- Câmara, Senado e comissões de saúde deverão apresentar explicações sobre rastreio de emendas.
- Secretaria do Tesouro deve informar viabilidade técnica e operacional de criação de códigos para rastrear emendas.
- Magistrado citou “oligarquia” parlamentar.
- Decisão ocorre após o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha. Eles teriam indicado os recursos indevidamente.
Rastreio
Flávio Dino cobrou informações claras e precisas sobre como é feita a distribuição dos recursos e quais mecanismos permitem rastrear a aplicação do dinheiro público.
Ele determinou que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e os presidentes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) se manifestem em até 30 dias sobre a transparência dos recursos. Os citados também deverão apresentar sugestões de melhorias no sistema de rastreio.
“Um mercado de terceirização ou privatização de emendas é totalmente incompatível com esse propósito constitucional, isto é, configura-se vício insanável por violação aos princípios da moralidade, legalidade e finalidade”, escreveu.



