Uma técnica de enfermagem foi presa após tentar levar uma recém-nascida dentro de uma bolsa em uma maternidade de Teresina (PI). Câmeras de segurança registraram a ação, interrompida pela tia da bebê, que desconfiou da funcionária e impediu que ela deixasse o hospital.
Uma técnica de enfermagem foi presa após tentar levar uma recém-nascida dentro de uma bolsa em uma maternidade de Teresina, no Piauí. Segundo o Fantástico, a ação foi registrada por câmeras de segurança e interrompida pela tia da bebê, que desconfiou da funcionária e conseguiu recuperar a criança antes que ela deixasse o hospital.
Auricélia Rocha trabalhava havia pouco mais de dois anos na Maternidade Dona Evangelina Rosa, mas estava de folga no dia do caso. Ela apareceu em um corredor com a recém-nascida por volta das 13h40, da última segunda-feira (6). A profissional teria dito à família que precisava levar a bebê para realizar exames, entre eles, o teste do pezinho.
A tia da criança, Daniela Beatriz, decidiu esperar do lado de fora da sala. Dois minutos depois, ela viu a técnica sair sem a recém-nascida, carregando uma bolsa preta grande, e entrar em um banheiro. “Ela vai pro banheiro, eu já fico olhando aquela situação. Eu sinto que aquele negócio não está certo”, recordou.
Daniela afirmou que Auricélia deixou o banheiro usando outra roupa. “Totalmente diferente, sem a touca, estava com uma sapatilha bege e um vestido jeans”, relatou a parente.
Pouco depois, a tia interceptou a funcionária, puxou a bolsa e encontrou a sobrinha dentro dela. “Quando eu puxo, a neném tá lá. Eu questiono: ‘Mulher, pelo amor de Deus, o que tu tá fazendo com essa menina nessa bolsa?’. Eu já tiro a neném e saio pedindo socorro”, partilhou.
A mãe da bebê tem 14 anos e havia viajado de Castelo do Piauí até Teresina para o parto. Ao relembrar o caso, a adolescente falou sobre a angústia vivida naquele momento. “Foi tudo ruim. Não vou esquecer nunca”, declarou. Ela ainda agradeceu a rapidez da irmã: “Se não fosse por ela, hoje eu estaria sem minha filha. Só uma mãe sabe o que é colocar uma criança no mundo e ver o rostinho dela pela primeira vez”.

O diretor administrativo e financeiro da maternidade, José Alberto Alencar, lamentou o ocorrido, mas afirmou que não houve falha na segurança da unidade. “Nós temos muita barreiras de segurança, que vão desde leitores faciais, portas com controles e senhas e códigos; e profissionais preparados para agir diante de ações dessa natureza”, afirmou ele.
A Polícia Civil revelou que trata o caso como tentativa de sequestro. Como houve demora na comunicação do crime, Auricélia não foi presa em flagrante, mas teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. De acordo com o delegado-geral Luccy Keiko, ela foi internada pela família em uma clínica psiquiátrica após a repercussão e acabou detida no dia seguinte, quando recebeu alta médica.
Durante buscas na casa da técnica, os investigadores encontraram um quarto preparado para receber um bebê, com fraldas, roupas, banheira e berço. “Todos os parentes disseram que acreditavam que ela estava grávida. Apesar de, em retrospectiva, ela não ter mostrado nenhum exame, ou nada do tipo”, contou o delegado Hugo Alcântara. Auricélia é mãe de dois filhos, um de 15 e outro de 18 anos.
Em depoimento, Auricélia permaneceu em silêncio. A defesa informou que ela foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, fazia uso de medicamentos psiquiátricos e teria comprometimento para compreender a gravidade dos fatos. A investigação, no entanto, não trabalha até o momento com a hipótese de insanidade mental capaz de afastar sua responsabilidade.
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Cora Andrade




