Discurso mira blindagem política diante de nova barreira de 25% anunciada por Donald Trump/ Foto: Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, anunciou que pretende iniciar interlocuções diretas com o corpo diplomático e autoridades da China. O objetivo da articulação política é tentar reverter a imposição de uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassa o teto das cotas comerciais preestabelecidas.
A declaração foi proferida pelo parlamentar durante uma transmissão ao vivo em suas plataformas digitais. Na ocasião, o senador responsabilizou formalmente a condução da política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela perda de competitividade do agronegócio nacional e pela aplicação da sobretaxa no mercado asiático.
Durante o pronunciamento, o pré-candidato do PL apresentou uma estimativa sobre o impacto tributário consolidado nas exportações brasileiras para o país asiático, embora os valores nominais divirjam dos parâmetros fiscais vigentes.
“O Brasil acabou de ser tarifado também, mais 55% pela China. […] A gente está falando de 62% de tarifação da nossa carne brasileira a partir do momento em que essa cota é estourada. E estou disposto também a buscar o governo chinês, a embaixada aqui, para também pedir que isso não aconteça”, declarou Flávio Bolsonaro.
Contudo, os cálculos técnicos de comércio exterior indicam que a taxação final sobre o produto brasileiro fora do teto atinge o patamar de 67% de alíquota.
A resolução do governo chinês que estabeleceu o mecanismo restritivo foi editada no dia 31 de dezembro de 2025 e entrou em vigor de maneira imediata em 1º de janeiro de 2026. A regra estipula que as remessas de cortes bovinos que extrapolam os volumes regulamentados em acordo bilateral ficam sujeitas ao pedágio alfandegário de 55%.
A retomada do tema por parte da oposição ocorre em meio a um embate discursivo de contornos eleitorais em Brasília. O Palácio do Planalto e a base governista vêm articulando uma ofensiva comunicacional para imputar à ala bolsonarista e ao alinhamento ideológico a responsabilidade pelo novo “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida da Casa Branca prevê uma taxa aduaneira de 25% contra produtos do Brasil e tem vigência agendada para a próxima quarta-feira (15).
Flávio Bolsonaro utilizou o espaço para rechaçar a tese governista, contra-atacar o Executivo brasileiro e relatar suas recentes agendas diplomáticas em solo norte-americano. Na última terça-feira (7), o senador participou de uma audiência pública em Washington promovida pelas comissões do governo dos EUA para debater os impactos da alíquota de 25%.
“É incompetência mesmo, gente. Então não adianta querer colar tarifa em cima da gente. Essa é uma culpa do Lula. Essa é dele. Eu sei que a culpa é dele, mas ele não pode botar em quem ele quiser. A culpa é dele, ele que abrace esse problema. Acabou que eu tive que ficar mais um dia nos Estados Unidos para fazer algumas reuniões e tentar evitar que o nosso país fosse tarifado em mais 25%. Então estava lá fazendo a minha parte, tentando, me esforçando, […] explicando por que o Brasil não deveria ser tarifado, mas é uma decisão política do governo americano”, concluiu o senador.
Fhagner Soares, ContilNet




