Flávio trava escolha do substituto de Castro e fragiliza palanque

Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova

A duas semanas do início das convenções partidárias, período em que serão oficializadas as candidaturas para as eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enfrenta dificuldades para consolidar o palanque em seu principal reduto eleitoral: o Rio de Janeiro.

O cenário, que já vinha sendo marcado por indefinições, ganhou um novo capítulo nessa terça-feira (7/7). O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), indicado para disputar uma das vagas ao Senado na chapa articulada por Flávio, foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis.

Embora o mandado cumprido contra ele tenha sido de busca e apreensão, Canella acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma.

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Nos bastidores do PL, a avaliação é que a operação enfraquece ainda mais o grupo político de Flávio no estado e torna a candidatura de Canella “inviabilizada”. Dirigentes afirmam que as investigações envolvendo o ex-prefeito já eram conhecidas internamente, mas que a indicação dele foi mantida por causa da aliança entre o PL e a federação União Progressista. Canella é presidente do União Brasil no Rio de Janeiro.

Diante do novo cenário, integrantes do PL passaram a defender, reservadamente, que o União Brasil reveja a indicação e apresente outro nome para disputar o Senado.

Na federação formada por União Brasil e PP, dirigentes também admitem que a operação da PF e a prisão dificultam a continuidade da candidatura de Canella. Eles ponderam, no entanto, que é preciso aguardar um posicionamento do ex-prefeito.

“A gente tem que ver o que está sendo investigado, o motivo da prisão e o que ele quer: se quer desistir, se quer continuar. Vamos esperar um pouco e não vamos emitir juízo de valor agora”, disse uma liderança.

Um dirigente do PP no estado afirmou que, se dependesse dele, Canella não seria mais candidato, mas ressaltou que a decisão cabe ao União Brasil. “A gente espera que o União se reúna e defina o que vai encaminhar”, afirmou.

Acordo inicial

A crise se soma a uma série de reveses enfrentados por Flávio Bolsonaro desde o início do ano. Em fevereiro, o senador negociou a formação da chapa no Rio de Janeiro, principal reduto político da família Bolsonaro.

O acordo previa o deputado estadual Douglas Ruas (PL) como candidato ao governo do estado e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogerio Lisboa (PP) como vice, em uma composição para atrair o União Brasil e o PP.

Também ficou acertado que as duas vagas ao Senado seriam ocupadas pelo então governador Cláudio Castro (PL) e por Márcio Canella. O ex-prefeito de Belford Roxo chegou a anunciar que Rogéria Bolsonaro (PL), mãe de Flávio, seria uma de suas suplentes.

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O cenário, porém, começou a mudar poucas semanas depois. Cláudio Castro renunciou ao governo do estado e abriu uma crise institucional no Rio de Janeiro. Com a disputa pela sucessão levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assumiu interinamente o Palácio Guanabara.

Por decisão do STF, Couto permanecerá no cargo até novo julgamento sobre o caso. A medida inviabilizou a principal estratégia política do grupo de Flávio, que contava com a eleição de Douglas Ruas à presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ou para o governo-tampão do estado. Sem o comando do Palácio Guanabara e a estrutura da máquina estadual, a missão de ampliar a visibilidade de Ruas ficou mais difícil.


A chapa original

  • Candidato a governador: Douglas Ruas (PL) é deputado estadual, presidente da Alerj e ex-secretário da Prefeitura de São Gonçalo. É filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL).
  • Candidato a vice-governador: Rogério Lisboa (PP) é ex-prefeito de Nova Iguaçu. Comandou o município por dois mandatos. Foi escolhido para a chapa para garantir o apoio do PP e trazer o eleitorado estratégico da Baixada Fluminense.
  • Candidato ao Senado: Cláudio Castro (PL) comandou o Rio de Janeiro até março deste ano. Recuou após virar alvo de operações da Polícia Federal.
  • Candidato ao Senado: Márcio Canella (União Brasil) é ex-prefeito de Belford Roxo e atual presidente do União Brasil no Rio de Janeiro. Considerado uma das principais lideranças da Baixada Fluminense, foi preso por posse ilegal de arma durante operação da PF.

Castro desistiu, mas vaga continua aberta

O segundo revés veio em maio. Após ser alvo de duas operações da Polícia Federal, Cláudio Castro desistiu de disputar uma vaga no Senado para se dedicar à própria defesa. A expectativa era de que o PL anunciasse rapidamente um substituto, mas a definição segue pendente.

Inicialmente, os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) eram os principais cotados. Sóstenes, que já demonstrava preferência por disputar a reeleição para a Câmara, perdeu força depois que uma operação da PF teve como alvo pessoas ligadas a ele por suspeitas de desvios envolvendo emendas parlamentares.

Nesse cenário, passou a disputar a vaga o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), que havia sido preterido nas negociações de fevereiro e concordado em concorrer à Câmara dos Deputados. Portinho intensificou a articulação com prefeitos e ampliou o apoio interno no partido. Já Jordy é visto como um nome de perfil mais ideológico, com maior identificação junto ao eleitorado bolsonarista no estado.

A direção do PL fluminense esperava que Flávio anunciasse o novo candidato ao Senado na última semana. O senador, porém, informou a aliados que ainda precisava conversar com o pai antes de bater o martelo. Em seguida, embarcou para os Estados Unidos, o que interrompeu o avanço das negociações.

Aliados de Flávio no Rio avaliam que a demora para definir a chapa tem fragilizado o palanque estadual e dificultado a organização da campanha dos candidatos aliados. Com a operação contra Canella, a avaliação dentro do partido é que a situação se tornou ainda mais delicada às vésperas das convenções partidárias.

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