Flávio Bolsonaro vincula eliminação do Brasil ao PT e projeta eleição

Parlamentar usou redes sociais para politizar derrota esportiva minutos após o apito final em Nova Jersey/Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, utilizou suas plataformas digitais na tarde deste domingo (5) para vincular a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 ao espectro político da esquerda nacional. Minutos após o encerramento da partida que selou a desclassificação do país diante da Noruega por 2 a 1, o parlamentar afirmou em sua conta na rede social X (antigo Twitter) que, desde que o Partido dos Trabalhadores (PT) assumiu o Palácio do Planalto, o Brasil “nunca mais ganhou nada”.

Apesar do encerramento precoce do sonho do hexacampeonato mundial, o senador buscou reverter o impacto emocional do revés esportivo em capital político para seu grupo partidário. Na mesma postagem, Flávio projetou um cenário de otimismo para seus aliados com foco na disputa de outubro, declarando que, embora os brasileiros tenham perdido o torneio nos Estados Unidos, “vão ganhar o Brasil”.

A manifestação do parlamentar faz alusão direta ao jejum de títulos da Seleção Masculina de futebol na principal competição da Fifa, que perdura desde a conquista do pentacampeonato em 2002. Contudo, a tese central do senador omite conquistas oficiais relevantes obtidas pelo futebol nacional nas últimas duas décadas, período em que o Brasil faturou taças da Copa América, da Copa das Confederações e o bicampeonato do Ouro Olímpico.

Postagem Flávio Bolsonaro no X/ Foto: X

Além disso, a linha cronológica traçada por Flávio desconsidera as alternâncias partidárias ocorridas na chefia do Executivo federal em anos de Copa do Mundo. Desde o título de 2002, o país disputou dois Mundiais sob comandos de legendas opositoras ao PT:

  • Em 2018, na Copa da Rússia, a Presidência da República era exercida por Michel Temer (MDB), ocasião em que o Brasil foi eliminado pela Bélgica nas quartas de final;

  • Em 2022, no Catar, o chefe do Executivo era o próprio pai do senador, Jair Bolsonaro (PL), quando a equipe nacional caiu diante da Croácia, também nas quartas de final.

A manifestação política ocorreu na esteira de um dos resultados mais melancólicos do futebol brasileiro em décadas. A Noruega superou a seleção canarinho de virada no MetLife Stadium com dois gols marcados pelo centroavante Erling Haaland na etapa complementar. O atacante Neymar chegou a descontar convertendo uma cobrança de pênalti nos acréscimos da partida, mas a reação tardia não evitou o adeus ao torneio.

O revés carimbou uma marca estatística negativa que não era registrada há 36 anos. A Seleção Brasileira não sofria uma eliminação na fase de oitavas de final desde a Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, quando foi derrotada pela Argentina por 1 a 0.

Com a vitória, a equipe escandinava avança para as quartas de final do torneio internacional, enquanto a delegação brasileira inicia os trâmites logísticos para deixar o território norte-americano de forma antecipada.

Redação ContilNet

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