O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, subiu o tom das críticas contra a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma agenda política realizada neste sábado (16). Em discurso em Sorocaba, no interior de São Paulo, o parlamentar classificou o atual governo federal como “corrupto” e afirmou que a administração petista teria promovido o aparelhamento institucional da Polícia Federal (PF).
As declarações foram proferidas durante o evento oficial de lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PL) ao Senado. O encontro reuniu lideranças da ala conservadora e serviu como plataforma para alinhar o discurso da oposição nas searas de segurança pública e de controle institucional.
O ponto central do ataque de Flávio Bolsonaro baseou-se em alterações recentes na condução de inquéritos policiais. O congressista criticou de forma aberta a substituição do responsável por coordenar investigações ligadas a desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“A gente não vai permitir que esses canalhas continuem governando o nosso país. Um governo corrupto, que persegue adversários políticos. Eles aparelharam até a Polícia Federal, trocaram o delegado que quebrou o sigilo do Lulinha, que recebia dinheiro do careca do INSS, para tentar manipular as investigações”, asseverou o senador. Na mesma sequência, ele cobrou o Executivo federal: “Tem que devolver o dinheiro roubado dos aposentados do INSS, Lula. Você rouba os idosos desse Brasil”.
A alteração mencionada pelo pré-candidato do PL ocorreu na estrutura da Polícia Federal encarregada de apurar fraudes na concessão de aposentadorias e pensões previdenciárias. O procedimento investigativo foi retirado da alçada da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, chefiada pelo delegado Guilherme Figueiredo, e repassado para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq) — setor técnico que concentra os inquéritos que envolvem autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Cenário de crise e citações bíblicas
O posicionamento público de Flávio Bolsonaro ocorre em meio ao desgaste gerado pela veiculação de diálogos entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os vazamentos envolvem suspeitas de irregularidades no aporte financeiro destinado à produção do filme “Dark Horse”, obra cinematográfica de caráter biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a atividade partidária em Sorocaba, o parlamentar insistiu na tese de que é alvo de perseguição política, embora tenha evitado citar nominalmente o empresário ou a instituição financeira.
Para rebater o conjunto de denúncias, o senador repetiu a estratégia adotada na noite anterior, em Campinas, e recorreu a metáforas religiosas para se dirigir à militância presente.
“Amanheci com uma passagem bíblica na minha cabeça. ‘Aquele que na dificuldade é fraco, é porque é realmente fraco’. Eles me subestimaram, mais uma vez, achando que vão me intimidar, achando que vão me calar. Eles esqueceram de uma coisa: aqui tem sangue de Bolsonaro. Eu não vou desistir do meu Brasil”, afirmou o pré-candidato, que acrescentou enfrentar uma investida de “tudo ou nada” articulada para tentar desidratar o seu capital eleitoral.
Bandeira internacional de segurança pública
A agenda no interior paulista também reservou espaço para a discussão de diretrizes de combate à criminalidade. Em material audiovisual exibido no telão do encontro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) manifestou apoio à postulação de Guilherme Derrite, classificando-o como peça fundamental para que uma eventual gestão de Flávio na Presidência consiga aplicar no Brasil o chamado “método Bukele”.
O modelo faz alusão à política de segurança pública implementada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, pautada por prisões em massa e encarceramento em larga escala de integrantes de grupos criminosos.
Em consonância com essa linha de atuação, Flávio Bolsonaro e Derrite defenderam a aprovação de mecanismos legais que classifiquem facções nacionais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na categoria de organizações terroristas. A proposta, que encontra eco nas diretrizes sugeridas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é rechaçada pela atual gestão do Ministério da Justiça do governo Lula.
Fhagner



