Advogada vai de Epitaciolândia a Xapuri em protesto por regularização fundiária na Resex Chico Mendes

A advogada e produtora rural Raimunda Queiroz iniciou na última quinta-feira (14) uma caminhada de protesto pela BR-317, no trecho entre Epitaciolândia e Xapuri, com o objetivo de denunciar o que classifica como abandono do governo federal e o endurecimento das ações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade contra moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes.

Em entrevista, Raimunda afirmou que a mobilização tem como principal pauta a regularização fundiária das famílias que vivem na reserva e que, segundo ela, enfrentam insegurança jurídica.

“Ontem eu iniciei uma caminhada de Epitaciolândia até Xapuri. A gente já percorreu mais de 40 quilômetros. E o objetivo dessa caminhada, a nossa luta, a minha luta é pela regularização fundiária dos moradores da Reserva Chico Mendes, que hoje vivem um grande drama”, disse.

Ela acrescentou que parte dos moradores estaria em situação de irregularidade e relatou preocupação com possíveis medidas de retirada de famílias da área. “70% do povo está numa situação de irregularidade, mais de 10 mil pessoas, e agora estão correndo um grande risco de serem expulsos da área onde vivem pelo ICMBio. Então eu estou lutando pela permanência das famílias, por melhores condições de vida e para que não sejam expulsas”, afirmou.

A advogada também criticou regras do plano de uso da reserva e defendeu mudanças na regulamentação para permitir maior flexibilização das atividades produtivas.

“É necessária a mudança urgente do plano de uso. Hoje, a reserva tem 90% do seu território preservado, mas o plano limita as atividades e isso deixa as pessoas numa situação muito difícil, porque não conseguem se regularizar nem ter acesso a políticas públicas”, disse.

Ela também citou dificuldades econômicas enfrentadas pelos moradores com base na exploração extrativista. “A borracha está em torno de R$ 15 a R$ 20 o quilo e a castanha entre R$ 55 e R$ 60 a lata. Isso não sustenta as famílias. É necessário ter uma pequena criação de gado, pecuária de subsistência e regularização das terras”, afirmou.

Raimunda ainda criticou embargos ambientais aplicados na região e afirmou que trabalhadores estariam sendo prejudicados por processos administrativos. “Dentro da reserva tem 846 áreas embargadas e no estado mais de 5 mil. São trabalhadores sendo tratados como criminosos. Isso tudo empurra famílias para a pobreza e para a miséria”, disse.

A previsão é de que a caminhada seja concluída no sábado (16), em Xapuri, onde ocorrerá um encontro com lideranças políticas, comunitárias e representantes de associações rurais.

Saimo Martins

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