O Lyon divulgou, nesta terça-feira (12/5), um balanço financeiro que escancarou a dimensão da crise vivida pelo clube francês e ampliou a tensão envolvendo John Textor, Botafogo e a estrutura da Eagle Football Holdings. No documento oficial da temporada 2025/26, o clube francês revelou prejuízo de 186,5 milhões de euros, cerca de R$ 1 bilhão na cotação atual, e afirmou ter 126 milhões de euros (R$ 727 milhões) a receber do Botafogo.
O relatório ainda aponta preocupação interna com a possibilidade de não recuperar integralmente o valor. Segundo o Lyon, ao menos 86 milhões de euros (aproximadamente R$ 496 milhões) já foram considerados de risco dentro da contabilidade do clube por conta de possível inadimplência.
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Escudo do Lyon e BotafogoReprodução

Botafogo iniciou a partida com Léo Linck; Ponte, Bastos e Barboza; Vitinho, Danilo, Newton e Alex Telles; Barrera, Matheus Martins e Montoro.Vitor Silva/Botafogo

John Textor, presidente do LyonReprodução/John Textor, presidente do Lyon (França)
A revelação aumenta o cenário de conflito financeiro entre os clubes ligados à Eagle Football, conglomerado que teve John Textor como principal nome à frente tanto do Botafogo quanto do Lyon.
As informações constam no relatório financeiro oficial divulgado pelo clube francês nesta terça-feira. Apesar da cobrança feita pelo Lyon, o cenário jurídico entre as partes também possui um caminho inverso. Isso porque, no último dia 22 de abril, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o Lyon efetuasse o pagamento de R$ 137,8 milhões à SAF do Botafogo.
Segundo decisão do juiz Leonardo de Castro Gomes, da 17ª Vara Cível do Rio, obtida pela ESPN, o clube francês teria 15 dias para apresentar eventuais embargos. Para isso, precisaria depositar 30% do valor executado, além de custas e honorários advocatícios.
Mesmo assim, o Lyon alegou no próprio balanço que ainda não teria sido oficialmente notificado sobre o processo movido pelo clube carioca. “Além disso, há relatos de que o Botafogo iniciou um processo contra o OL perante o Tribunal do Rio de Janeiro, mas o Grupo não recebeu nenhuma notificação a esse respeito”, afirmou o clube francês no documento.
O trecho mais sensível do relatório, porém, envolve diretamente John Textor. O Lyon acusa o empresário de ter assinado garantias financeiras em nome do clube francês para cobrir operações ligadas ao Botafogo e ao Molenbeek, da Bélgica, sem que essas movimentações fossem devidamente conhecidas ou registradas internamente.
“O Grupo descobriu recentemente que terceiros estavam acionando garantias concedidas, entre agosto de 2023 e abril de 2025, pela Companhia ou por sua subsidiária OL SASU, assinadas por John Textor, para cobrir obrigações assumidas pelos clubes Botafogo e Molenbeek (pertencentes à Eagle Bidco e ligados ao ex-diretor John Textor). Essas garantias não eram conhecidas e não haviam sido divulgadas nas demonstrações financeiras publicadas pela Companhia nos últimos anos”, diz um dos trechos do balanço.
De acordo com apuração da ESPN, as operações citadas estariam relacionadas às negociações envolvendo os jogadores Ernest Nuamah e Luiz Henrique.
O documento detalha ainda duas garantias específicas. A primeira teria sido emitida em março de 2024 para assegurar valores pendentes ligados à compra de um atleta pelo Botafogo. Já a segunda, assinada em abril de 2025 sob legislação inglesa, envolveria uma garantia concedida pela OL SASU para cobrir possíveis débitos do clube carioca em uma operação avaliada inicialmente em cerca de 30 milhões de euros.
Segundo o Lyon, o credor da operação reservou o direito de exigir até 14,8 milhões de euros da subsidiária francesa. O relatório ainda afirma que parte dessas garantias estaria vinculada a créditos relacionados a transferências entre Botafogo e Lyon que sequer chegaram a ser concretizadas.
“Essa garantia assegura o mesmo empréstimo como um suposto crédito, cedido em garantia pelo Botafogo ao mesmo beneficiário, relacionado a valores devidos em razão de transferências de jogadores entre Botafogo e OL que nunca chegaram a ocorrer”, aponta outro trecho do documento.
A ESPN informou ter procurado John Textor por e-mail, mas o empresário não respondeu até a publicação da reportagem.



