O “Fantástico” exibiu imagens da inspeção sanitária na fábrica da Ypê, em Amparo (SP). A análise apontou falhas em equipamentos e possíveis riscos microbiológicos em produtos de limpeza. A Anvisa decidirá nesta semana se mantém a suspensão de lotes.
O “Fantástico” deste domingo (10) exibiu imagens do relatório que mostram a inspeção sanitária, realizada no final de abril, na fábrica da Ypê, em Amparo, interior de São Paulo. Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidirá se mantém a suspensão da fabricação e da comercialização de um lote de produtos de limpeza da marca.
A análise das condições de produção da Química Amparo, fabricante da marca Ypê, foi feita por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária da capital paulista e da Vigilância Sanitária de Amparo, durante quatro dias. Os equipamentos usados para a produção de detergentes e lava-roupas apresentaram marcas de corrosão.
A averiguação também destacou o estado crítico de conservação do tanque de manipulação de produtos para lava-louças. Na mesma unidade, o relatório afirmou que os fiscais flagraram restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.
Veja as fotos:


O relatório de inspeção sanitária afirmou que “faz-se necessário destacar, com gravidade, que a empresa, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, obteve resultados fora de especificação microbiológica, incluindo resultados positivos para pseudomonas aeruginosa“, uma bactéria encontrada em 80 lotes de produtos acabados.
Segundo o documento, esses lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e estão armazenados no almoxarifado de produtos acabados, aguardando uma definição financeira. A inspeção concluiu que o conjunto das irregularidades observadas configura “um quadro crítico, caracterizado como de risco sanitário elevado“, exigindo a adoção imediata de medidas corretivas e preventivas por parte da empresa, “sob pena de comprometimento da saúde dos consumidores e de agravamento das sanções sanitárias cabíveis“.
O que diz a Ypê
Em nota ao jornalístico, a empresa informou que as fotos apresentadas mostram áreas em que não há nenhum contato com os produtos, e que são locais que fazem parte de “um plano robusto de melhorias na fábrica“, alinhado com a Anvisa desde o ano passado e que já teve mais da metade das ações executadas.
A fabricante também declarou que a recente inspeção da Anvisa não encontrou contaminação em seus produtos. Além disso, afirmou que já dispõe de controle de qualidade para identificar e descartar itens que não seguem o padrão de qualidade exigido pela própria companhia.
A produção na unidade química segue paralisada desde quinta-feira (7), justamente para acelerar a execução dessas adequações em atendimento às exigências da Anvisa. A Ypê reiterou “seu compromisso de 75 anos como uma empresa 100% nacional, focada em entregar produtos de qualidade a um preço justo para todos os brasileiros“.

Suspensão da Anvisa
No mesmo dia da paralisação, a Anvisa publicou a suspensão da venda de detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquido, todos do lote 1, por suspeita de risco de contaminação. Durante a inspeção, foram constatados “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade“.
“Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de boas práticas de fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com a possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica, presença indesejada de micro-organismos patogênicos“, informou a agência.
Aos consumidores, a Anvisa orientou que quem tem em casa, lotes dos produtos deve suspender imediatamente o uso e entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da empresa para informações sobre o procedimento de recolhimento. De acordo com a agência, produtos de limpeza contaminados com bactérias podem gerar infecções na pele, nos olhos e problemas respiratórios em pessoas vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos.
Na sexta-feira (8), a empresa recorreu administrativamente da decisão da Anvisa, o que suspendeu automaticamente a medida da agência até a análise do caso. Em nota, o Centro de Vigilância Sanitária da capital paulista informou que a avaliação técnica sobre o risco sanitário permanece mantida. A diretoria da agência analisará o caso na próxima quarta-feira (13).
“Foi feita toda essa investigação, toda essa análise. Então, tem os pareceres que foram feitos tecnicamente. Veja, a Anvisa segue a boa técnica, segue a ciência e segue a melhor metodologia. É assim que ela faz esse processo. E ela faz esse processo de forma rotineira. E, rotineiramente, a gente também tem um rito nosso. Quando a gente faz esse tipo de ação, a gente dá o direito da ampla defesa para a empresa. E ela tem todo esse direito. Esse direito de ampla defesa foi exercido agora com o pedido que a empresa fez de suspensão desse efeito. Foi dada essa suspensão. É automático esse processo de concessão dessa suspensão. Só que nós vamos analisar essa questão de forma bem definitiva agora, na quarta-feira, na próxima reunião de colegiado da Anvisa“, disse Leandro Pinheiro Safatle, diretor-presidente da Anvisa.
Assista à reportagem completa:
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Sally Borges



