Em meio ao desespero provocado pelo ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco, o pastor Ian Soares, da Igreja Batista do Bosque, descreveu em entrevista nesta quarta-feira, 06, os momentos de tensão vividos dentro e no entorno da escola e a iniciativa de reunir alunos para uma oração coletiva. A ação ocorreu enquanto estudantes aguardavam contato com familiares, em um cenário de medo e desorganização. O episódio viralizou nas redes sociais na terça-feira, 05, após imagens de dronar mostrarem um círculo de oração entre os estudantes.
Durante entrevista ao ac24horas no enterro de Raquel nesta quarta-feira, 06, o pastor afirmou que soube do ocorrido enquanto estava nas proximidades do centro da cidade e se deslocou imediatamente até a escola. A motivação, segundo ele, foi pessoal, dois primos estudam na instituição, além de outros adolescentes com quem mantém vínculo. “Fui correndo para lá, porque tenho familiares e acompanho jovens que estudam ali. Peguei a foto deles e comecei a buscar informações”, relatou.
Ao chegar ao local, Ian Soares encontrou parte dos alunos sendo direcionada para a quadra da escola, especialmente aqueles que ainda não haviam conseguido contato com os pais. Foi nesse momento que, segundo ele, decidiu agir.
“Ali, naquele exato momento, senti de reunir eles. A gente começou a orar, declarando vida sobre o Instituto São José e que eles vão se recuperar desse trauma”, afirmou. O pastor também destacou que, durante a oração, houve menção às vítimas fatais do ataque, tratadas por ele como “heroínas”.
Além do momento de oração, o pastor relatou que prestou auxílio direto aos estudantes, especialmente no contato com familiares. Ele afirmou que utilizou seu celular para compartilhar internet e ajudar adolescentes a se comunicarem com os pais.
“Mesmo com o celular descarregando, eu comecei a rotear internet e ligar para os pais dos adolescentes”, disse. A partir da experiência, ele fez um alerta: “É importante que os filhos saibam de cor o número dos pais, para que em uma emergência possam avisar que estão bem”, reforçou.
Ian também destacou uma reflexão sobre o comportamento em situações de crise. “Muitas vezes, a gente precisa deixar o celular e a câmera no bolso e estender a mão para quem mais precisa”, afirmou.
Ao descrever o ambiente dentro da escola, o pastor foi enfático ao classificar a situação como uma “cena de terror”. Segundo ele, o impacto do ataque atingiu não apenas os alunos, mas também os próprios funcionários.
“As funcionárias estavam perdidas, chorando a perda das colegas. E os alunos também estavam muito desorientados, porque quem deveria ajudar também estava precisando de ajuda. Creio que fui usado para ajudar os alunos, os pais e também quem trabalha ali”, disse.
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Lucas Vitor



