Boulos e aliados veem chance de reduzir vantagem da direita no Acre

Foto: Whidy Melo/ac24horas

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e lideranças políticas do Acre avaliaram, nesta quarta-feira (29), os desafios da conjuntura eleitoral e política no estado, durante encontro com movimentos sociais no auditório da Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre, em Rio Branco. As falas convergiram para um cenário de disputa acirrada, necessidade de organização política e redefinição de estratégias para dialogar com a população.

Boulos classificou o momento como decisivo e projetou uma eleição de alta intensidade. Segundo ele, “nós vamos entrar num processo eleitoral duríssimo” e reforçou que “será uma guerra”. Para o ministro, o principal desafio está na construção do discurso político e na disputa de narrativa. “Nós precisamos ter o nosso discurso, a nossa narrativa, na ponta da língua para fazer esse enfrentamento”, afirmou.

Ao comentar o cenário local, Boulos indicou percepção de crescimento do campo político aliado ao governo federal no Acre. “Eu estou sentindo que a tendência desse ano é a gente ter um resultado significativamente melhor do que nós tivemos há quatro anos”, disse. Ainda que reconheça dificuldades, ponderou que “mesmo que não seja para trazer uma vitória do Lula, numa eleição apertada, reduzir margem é tudo”.

Ele usou como exemplo a experiência eleitoral em São Paulo para defender a estratégia. “Perder de 70 a 30 ou de 60 a 40 faz diferença numa eleição decidida no fio da navalha”, afirmou, acrescentando que “o mesmo vale para o Acre”. Na avaliação do ministro, há espaço político a ser explorado no estado. “Tem espaço para a gente avançar mais aqui, tem espaço para colocar mais gente nossa no parlamento e aumentar a votação do Lula no estado”.

Boulos também enfatizou que o desafio não se resume ao período eleitoral, mas começa antes, na definição dos temas do debate público. “Uma eleição não se ganha só na campanha, ela começa quando a gente decide qual vai ser a pauta”, afirmou. Ele criticou disputas baseadas em temas que desviam o foco das demandas sociais. “Se a pauta é ruim, é começar mal. É jogar no campo do inimigo, com a bola do inimigo”, disse.

Como alternativa, defendeu que o debate eleitoral seja centrado em questões populares. “A pauta precisa ser a dos trabalhadores, precisa ser a 6×1, precisa ser soberania nacional”, afirmou, acrescentando que esses são temas em que seu campo político tem vantagem. “Nesse terreno, a gente ganha”.

O pré-candidato ao governo do Acre, Thor Dantas (PT), também avaliou os desafios locais com foco na gestão pública e na relação com o governo federal. Segundo ele, o estado enfrenta limitações estruturais. “O Acre hoje tem uma carência muito grande de políticas públicas eficazes, de entrega, de capacidade de planejamento e execução”, afirmou.

Dantas destacou que sua candidatura busca se apresentar como alternativa baseada em capacidade administrativa. “O que a gente está dizendo é que tem capacidade de fazer, de planejar e de entregar resultados”, disse. Para ele, um dos principais desafios é a comunicação com a população. “Nosso desafio é dizer para as pessoas que é possível algo melhor, que elas não precisam escolher entre o ruim e o menos pior”.

O petista também enfatizou a importância da articulação com o governo federal para viabilizar políticas públicas no estado. “Estados pequenos e periféricos dependem grandemente do governo federal”, afirmou. Nesse contexto, criticou posturas que, segundo ele, dificultam essa relação. “Negar o diálogo com o governo federal é fechar portas para soluções dos problemas reais do Acreano”.

Ao ser questionado sobre um eventual cenário político adverso no plano nacional, Dantas defendeu pragmatismo institucional. “Nós vamos dialogar com quem quer que esteja no governo federal”, disse. Ainda assim, avaliou que a relação atual poderia ser mais produtiva. “A atual gestão local é incapaz de dialogar por questões ideológicas, e isso tem trazido prejuízos para o Acre”.

Já o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) apontou fragilidades nas bases políticas que hoje sustentam o governo estadual. Segundo ele, “as maiorias são construídas por arranjos, não por bases ideológicas” e tendem a se desfazer no período eleitoral. “Quando chega a eleição, essa base ampla começa a se dissolver”, afirmou.

Magalhães destacou que esse cenário abre espaço para disputas e reorganizações políticas. “Há diferenças profundas entre eles e a eleição abre fissuras”, disse. Para o parlamentar, o desafio do campo político ao qual pertence é se posicionar diante de um cenário dominado por forças conservadoras. “O que está em disputa parece restrito a esse campo, mas nós queremos colocar uma cunha nessa eleição”.

Ele também defendeu a reconstrução de um campo político democrático no estado. “Nosso desafio é reorganizar o campo democrático popular sob novas bases e novos desafios”, afirmou. Segundo Magalhães, apesar da predominância de forças conservadoras, há espaço para articulação. “Existe um campo democrático no Acre, ainda que disperso, e ele pode ser aglutinado”.

Whidy Melo

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