Uma pesquisa divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC) revela um cenário sobre o perfil das dívidas da população de Rio Branco, indicando alto nível de comprometimento da renda e dificuldades recorrentes para manter os pagamentos em dia. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30).
De acordo com o levantamento, realizado com 400 pessoas economicamente ativas, 65,5% dos moradores possuem dívidas com vencimento nos próximos seis meses. O peso dessas dívidas no orçamento chama atenção.
Entre os endividados, 41% comprometem 70% ou mais da renda mensal apenas com pagamentos de débitos, enquanto 21,8% destinam cerca de metade dos ganhos. Outros 30% utilizam aproximadamente 37,4% da renda para quitar obrigações financeiras. Na prática, os números indicam que uma parcela significativa da população opera com margem financeira extremamente reduzida.
A pressão maior recai sobre despesas recorrentes. A fatura do cartão de crédito aparece como a principal preocupação para 28,5% dos entrevistados, seguida pelo pagamento de aluguel (16%) e pelas chamadas “compras do mês” (12%). Também entram na lista carnês de loja (9,5%) e conta de energia elétrica (8,8%), além de outros compromissos bancários e financiamentos.
A dificuldade para manter as contas em dia é outro ponto crítico. Segundo a pesquisa, 61,5% dos entrevistados admitem enfrentar obstáculos para honrar suas dívidas regularmente. Esse cenário se reflete diretamente nos índices de atraso: 75,5% dos endividados possuem débitos em atraso de até 30 dias, enquanto outros acumulam pendências entre 31 e 60 dias. Já 6,3% estão em situação de inadimplência mais grave, com atrasos superiores a 90 dias.
O estudo também aponta que 42,6% da população já possui registro em serviços de proteção ao crédito, reforçando o impacto do endividamento no acesso a novas linhas de crédito e na saúde financeira das famílias.
Diante desse cenário, muitos recorrem a estratégias emergenciais para equilibrar o orçamento. Entre os devedores, 23,8% afirmam realizar serviços extras para complementar a renda, enquanto 19,5% recorrem a novos empréstimos, o que pode ampliar ainda mais o ciclo de endividamento. Outros optam por priorizar contas essenciais (15,5%) ou adiar pagamentos (11,5%).
Apesar do quadro, o levantamento mostra que 52% dos entrevistados afirmam realizar algum tipo de planejamento financeiro. No entanto, quase metade da população (44,8%) ainda não adota essa prática, o que pode contribuir para o agravamento do endividamento no médio e longo prazo.
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Lucas Vitor




